Greve da Anvisa e norma sanitária atrasam atracação de navios

29 de Março de 2006 @ 10:03 - admin
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Terça-Feira, 28 de Março de 2006, 08:07

Greve e norma sanitária atrasam atracação de navios

Da Reportagem

Mais de dez navios tiveram suas atracações adiadas devido à greve local dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à adoção de medidas de combate à gripe aviária. Desde sábado, qualquer embarcação que tenha passado, nos últimos 30 dias, por áreas com esta doença (a Europa, por exemplo) tem de ser inspecionada antes de chegar no porto e iniciar suas operações de embarque e desembarque.
O rigor é ainda mais prejudicial pois, devido ao paralisação da categoria, somente quatro visitas a navios suspeitos são realizadas por dia, isso se não chover.
Tal situação é criticada pelo Sindicato das Agências de Navegação do Estado de São Paulo (Sindamar), que a considera ‘‘um desastre para o comércio exterior brasileiro’’. Temendo perdas de cargas para o complexo, a entidade pretende negociar com o escritório da Anvisa em Brasília um ‘‘abrandamento’’ da fiscalização e o retorno ao trabalho dos fiscais
‘‘O combate à gripe aviária é importante. Não somos contra isso. Mas por que fiscalizar todo o navio que esteve em áreas afetadas nos últimos 30 dias. Quer dizer que, se um navio vindo da Europa escala em Rio Grande (RS), é inspecionado lá e depois vem para cá, terá de aguardar por uma nova inspeção. Isso é demais e prejudica o comércio exterior do Brasil’’, afirmou o vice-presidente do Sindamar, José Roque.
De acordo com o representante das agências, cada dia de atraso na programação de um navio representa um custo adicional de US$ 35 mil, em média. Mas os prejuízos da greve com as medidas de combate à gripe aviária são bem maior. ‘‘Quando um navio percebe que não vai poder esperar em Santos, ele parte para outro porto. Neste momento, o exportador não consegue enviar suas encomendas e fica sem receber. O terminal fica com as cargas presas e não pode receber mais mercadoria para embarcar. E, por fim, a imagem do Brasil lá fora volta a ficar negativa’’, explicou.
Representantes dos grevistas do escritório de Santos foram procurados, mas até o fechamento desta edição não foram localizados.
Prazos
O gerente-geral de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Anvisa, Paulo Ricardo Santos Nunes, negou que as medidas de combate à gripe aviária já estejam sendo implantadas. Segundo ele, o Plano Nacional de Combate à Influenza Aviária deverá entrar em operação somente dentro de 40 dias. Ele prevê o controle de resíduos sólidos de todas as embarcações vindas de áreas afetadas pela gripe aviária, conforme determina a Resolução de Diretoria Colegiada 37 (RDC 37), de 22 de fevereiro de 2006.
Nunes não acredita que a greve possa impedir o trabalho de inspeção sanitária. ‘‘Com a greve, o serviço fica mais lento, mas a qualidade é garantida pela responsabilidade civil dos funcionários e pela garantia do atendimento mínimo de 30% prestado pelos grevistas’’.
Por enquanto, segundo Nunes, o plano de combate se resume a informar as pessoas que estão viajando para países infectados sobre precauções, como lavar as mãos com frequência, evitar contato com aves e comer os produtos de origem aviária bem cozidos, visto que o vírus não resiste a temperaturas acima de 60 graus centígrados.

Fonte: Jornal A Tribuna de Santos
Flávio de Souza.

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